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Dark Lord Day RJ. Um dia para não ser esquecido.

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Da esquerda para direita, Black damnation 12, Dark Lord 2013 a 2008. Na frente duas garrafas de Black Anthrax

Escuro, viscoso, pouco gaseificado, sem espuma, melado, alcoólico. Essa descrição não parece nada convidativa, mas descreve a experiência que tive ontem. Tive o prazer de participar da maior degustação da cerveja Dark Lord já feita na história do nosso país (pelo menos que foi registrada) e tivemos a oportunidade de viajar no tempo através de várias safras da lendária Russian Imperial Stout da cervejaria 3 Floyds.

Para quem não conhece a cerveja Dark Lord tem várias características peculiares. Primeiro, ela só é vendida – oficialmente – uma vez por ano, em um festival chamado Dark Lord Day nos EUA. Segundo, comprando o ticket do evento você tem direito a comprar de 2-4 garrafas de Dark Lord daquele ano. Sim, direito de comprar garrafas em número limitado, que não estão incluídas no ingresso. Terceiro, os ingressos são separados por lotes com o horário no qual você poderá entrar no galpão da cervejaria para comprar suas Dark Lords. Após passar algumas horas na fila (que iniciam de 1h a 2h antes do horário) na entrada do galpão você troca seu ticket por uma raspadinha e, se for premiado, terá o direito de comprar uma Dark Lord envelhecida em barril (os barris são diferentes, e todo ano tem de 4 a 5 tipos diferentes, com pouco mais de 300 garrafas numeradas por barril). Todas essas peculiaridades transformaram essa cerveja da 3 Floyds em um mito, que conquista cada vez mais seguidores todos os anos.

Se conseguir uma garrafa da Dark Lord já não é fácil, imagina conseguir seis. Agora tente imaginar que essas garrafas não são todas deste ano ou do ano passado. Elas foram meticulosamente adquiridas pelo cervejeiro e meu parceiro de panela Marlos Monçores  para serem degustadas de forma comparativa e vertical, tendo como base o ano das safras. Eu fui um dos felizardos que participou do evento promovido pelo Marlos ontem no Delirium Café do Rio de Janeiro, onde provamos seis garrafas de Dark Lord (anos 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013). Não é nada fácil conseguir uma coleção dessas raridades, que foram adquiridas em diversas viagens ao longo dos últimos anos. Como o estilo Russian Imperial Stout é extremamente indicado como cerveja de guarda, a degustação tinha tudo para ser muito interessante.

Para começar, o nosso mestre de cerimônias trouxe uma cerveja para abrirmos os trabalhos. Nada menos do que a Black Damnation XII, da cervejaria belga Struise. Como sempre, a Struise nos mostrou que os Belgas não sabem fazer apenas Tripel e Dubbel, nos trazendo uma Russian Imperial Stout de ótima qualidade. Após esse ótimo início, a principal dúvida da mesa era qual ordem começar a batalha. Da mais antiga para a mais nova? Da mais nova para a mais antiga? Função random do Excel? Palitinho? Na hora da verdade escolhemos uma formação mista para o campo de batalha. Guardamos a mais nova e a mais antiga para o fim e começamos pela 2012, seguindo em ordem decrescente. E assim a guerra começou.

Não sou beer sommelier e muito menos “beer chato”. Por isso não vou encher esse post de notas de carvalho, aroma de café do sul da Etiópia, etc. Como cervejeiro caseiro, minha análise é que foi uma ótima experiência provar várias cervejas de safras diferentes, do mesmo estilo, na mesma noite. Consegui notar, de forma geral, que as cervejas mais novas – principalmente as de 2013 – eram muito mais “meladas”, tanto no sabor quanto no aroma. E que safras mais antigas já se apresentavam mais equilibradas, chegando até no extremo de perder um pouco a identidade da cerveja. A minha preferida foi a 2010 que manteve a identidade da pegada no melaço, mas conseguiu equilibrar melhor o dulçor e álcool. Mas, sendo sincero, o peso da madeira da cerveja que inicialmente seria apenas uma coadjuvante dos belgas da Struise, me surpreendeu. Nunca, jamais, em hipótese alguma duvide da capacidade de um belga #respect.

Para fechar a noite com chave de ouro tivemos a grande presença da cerveja caseira Black Anthrax, feita por mim e pelo Marlos, e que foi a grande campeã no estilo livre do concurso estadual da AcervA carioca e no estilo extreme beer da AcervA Niterói, ambos em 2013. Como é difícil julgar um filho, deixo as impressões sobre a Black Anthrax para quem estava na degustação e para quem já recebeu nosso singelo cartão de visitas. Mas tenho que deixar registrado que no final da noite uma garrafa vazia da nossa cerveja foi colocada na prateleira do Delirium Café, ao lado de grandes cervejas internacionais. O que é um grande orgulho para um cervejeiro caseiro.

Saí da experiência levemente alcoolizado – a média de álcool era por volta de 15% -, mas como só bebemos uns 70 ml de cada garrafa a experiência foi muito rica. Mantivemos a máxima de beber menos e melhor do mundo cervejeiro artesanal. Pegando um pouco mais pesado na parte do melhor, devido a raridade e qualidade das cervejas degustadas.

PS.: . Uma degustação bem legal de Dark Lord foi feita pelo pessoal do Full Pint. Foi menor que a nossa, mas com certeza vale o registro!

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Sobre Luiz Bento

3 comentários em “Dark Lord Day RJ. Um dia para não ser esquecido.

  1. Daniel Martins
    18 de agosto de 2014

    Bom texto meu amigo, só acho q esqueceu de algo fundamental… rsss
    A degustação teve a ilustre presença do Beer Brownie em edição especial para o evento, elaborado com a melhor, na minha opinião, Russian Imperial Stout nacional. Beer Brownie de Petroleum!

  2. Rafael Mindú
    19 de agosto de 2014

    Bem bacana essa vertical =D
    Eu diria que lendária no mínimo.

    Eu já fui membro integrante da ConfraBacon (a confraria fundada pelo Fabrício, dono e editor do site FullPint BR) e realmente em meados de Abril de 2012 nós fizemos uma degustação vertical de 4 anos de Dark Lord (2006~2010).
    Link: http://instagram.com/p/K0om1oQa5b/

    Numa segunda ocasião, eu tive a chance de experimentar também uma vertical de mais 4 anos (2011~2013) com o pessoal do Sr. Lúpulo de Franca/SP.
    Link: http://instagram.com/p/f0_e9cQaxX/

    Na primeira vertical em 2012, a minha preferida foi a 2008, na segunda vertical a minha preferida foi a 2012.

    Posso dizer com segurança a todos os amigos bebedores, corram atras da sua Dark Lord, é uma cerveja que vale cada centavo investido =D

    Parabéns pelo blog, Luís, revelo que não conhecia, mas entrou pra lista dos blogs cervejeiros pra visitar sempre =D

    Forte abraço e saúde!

    • Luiz Bento
      19 de agosto de 2014

      Olá Rafael, obrigado pelo comentário. Nos inspiramos bastante na experiência de vocês. Abraços.

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Publicado às 18 de agosto de 2014 por em Degustação, Geral, Opinião e marcado , , , , , , , , .

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