Confraria do Lúpulo

Beba com Informação

Álcool – vilão ou mocinho?

É por aí mesmo.

Fonte: The drinks business

ResearchBlogging.org

Eu realizo exames de sangue periodicamente para checar se está tudo OK com a minha saúde. No meu último exame, tive uma surpresa interessante: meu nível de HDL, aquele chamado de “bom colesterol”, estava em 95 mg/dL, valor bastante acima do considerado normal. Fiquei intrigada e ao levar o exame para minha médica ela me disse que eu apresentava uma saúde de triatleta. Fiquei radiante com a idéia de que todo o esforço na academia não foi em vão.

Entretanto, em uma conversa recente com uma amiga nutricionista aprendi que altos níveis de HDL, como o meu, são comumente vistos em pessoas que consomem álcool moderadamente (e convenhamos que eu estou mais para consumidora moderada de álcool do que para triatleta). A verdade é que o consumo de álcool pode trazer tanto benefícios quanto riscos à saúde, dependendo não somente do volume ingerido, mas também de características individuais como sexo e idade.

Então, a primeira pergunta que devemos responder é: qual volume de álcool podemos consumir para que as chances de termos benefícios superem os riscos? De acordo com o Dietary guidelines for americans (2010), o consumo de álcool deve se limitar a um drink por dia para mulheres e dois drinks por dia para homens, lembrando que um drink equivale a 350mL de cerveja (5% ABV) ou 150mL de vinho (12% ABV) ou 50mL de destilado (40% ABV). Uma explicação mais detalhada sobre doses e níveis de consumo pode ser vista aqui.

Agora que sabemos o que é beber moderadamente, podemos avaliar os benefícios dessa prática. Algumas pesquisas indicam que o consumo moderado de álcool é benéfico à saúde do coração, diminuindo o risco do desenvolvimento de doenças coronarianas e infartos, bem como de morte em decorrência de um ataque cardíaco. O efeito protetor do álcool está relacionado ao aumento dos níveis sanguíneos de HDL e a alterações em fatores que influenciam a coagulação do sangue, prevenindo a formação de pequenos coágulos que podem bloquear as artérias do coração.

O consumo moderado de álcool parece também reduzir os riscos do desenvolvimento de diabetes tipo 2 e de pedras na vesícula. Além disso, não podemos esquecer dos benefícios sociais e psicológicos do consumo de álcool, que vão do relaxamento após um dia estressante de trabalho ao happy hour com os amigos.

Falando um pouquinho da nossa amada cerveja, além do álcool ela possui componentes que apresentam propriedades antioxidantes, antiinflamatórias e anti-câncer, sobretudo devido à presença do lúpulo. Além de importante para conservar a cerveja, essa planta parece conservar também a nossa saúde, contribuindo para o combate à osteoporose e amenizando os sintomas da diabetes.

Entretanto, nem tudo são flores no consumo de álcool. Mesmo quando moderado, ele traz riscos à saúde, principalmente relacionados ao desenvolvimento de câncer. Este risco está associado ao fato de que o álcool bloqueia a absorção e inativa o folato, uma molécula importante para a divisão celular. Por esta razão, mulheres com baixos níveis de folato no sangue apresentam maior risco de desenvolver câncer de mama.

Mas o principal problema é quando o consumo de álcool passa de moderado a excessivo. Quando crônico, este consumo leva a problemas graves de saúde, como cirrose hepática, pancreatite e doenças vasculares. A exposição aguda ao álcool aumenta o risco de acidentes que podem levar a uma morte violenta. Segundo a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 3% de todas as mortes no mundo podem ser atribuídas ao consumo de álcool.

Por isso, a máxima “beba com moderação” deve ser aplicada para o consumo consciente, saudável e benéfico do álcool, respeitando sempre os limites de cada um. Quanto a mim, estou indo lá garantir minha dose de saúde. Até a próxima!

Obs.: Estudos envolvendo correlação entre hábitos alimentares e saúde são controversos e estão sempre sendo debatidos. Assim, não use esse texto para justificar suas escolhas e, caso necessite, procure um médico ou nutricionista.

Referências:

Carlsson S, Hammar N, Grill V, & Kaprio J (2003). Alcohol consumption and the incidence of type 2 diabetes: a 20-year follow-up of the Finnish twin cohort study. Diabetes Care, 26 (10), 2785-2790 DOI: 10.2337/diacare.26.10.2785

Colditz GA (1990). A prospective assessment of moderate alcohol intake and major chronic diseases. Annals of Epidemiology, 1, 167-177 DOI: 10.1016/1047-2797(90)90007-F

Kloner RA, & Rezkalla SH (2007). To Drink or Not to Drink? That Is the Question. Circulation, 116, 1306-1317 DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.106.678375

Zhang SM, Willett WC, Selhub J, et al. (2003). Plasma folate, vitamin B6, vitamin B12, homocysteine, and risk of breast cancer. Journal of the National Cancer Institute, 95, 373-380 DOI: 10.1093/jnci/95.5.373

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Sobre Carolina Goulart

Sou formada em Biomedicina, com Mestrado e Doutorado em Biofísica. Sou cientista por formação e escritora por vocação. Atualmente, busco alinhar essas duas paixões.

2 comentários em “Álcool – vilão ou mocinho?

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Publicado em 1 de outubro de 2013 por em Ciência, Geral.

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