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O malte brasileiro

Ripe Barley Field at Sunset, a grassy Path leading towards the Sun

A indústria da cerveja brasileira vem promovendo a produção de maltes nacionais através do incentivo ao plantio de cevada, com apoio a pesquisas que buscam a excelência dos grãos. No entanto, aqueles que querem produzir outros estilos além do “tipo Pilsen”, também conhecida como Standard American Lager, ainda precisam importar maltes especiais.

A cevada, depois de colhida, passa por um processo de transformação que permite a produção de cerveja, whisky, e outras bebidas. Nesse processo, ela é umedecida, seca e  torrada em diversas faixas de temperatura e tempo, gerando complexos sabores e aromas que diferenciam os estilos. É o que chamamos de malte.

Atualmente, o Brasil tem quatro maltarias, sendo duas, a Maltaria Navegantes e a novíssima maltaria de Passo Fundo, sob o controle da AmBev. Esta última terá capacidade inicial de produção de 110 mil toneladas por ano. A Maltaria do Vale, produtora de 105 mil toneladas/ano, foi adquirida pelo grupo francês Soufflet, gigante da produção de maltes, e pretende chegar a 200 mil toneladas/ano. Além delas, temos a mais antiga maltaria, fundada em 1981: a Agromalte, com suas 220 mil toneladas/ano. Cerca de 1.300 propriedades produzem cevada e, por haver outros meios de alimentação de animais, que recebem o grão como alimento em diversos países, ¾ da cevada colhida no país é destinada às maltarias.

Apesar de serem grandes notícias pelo lado econômico, toda essa capacidade não basta para atingir a autossuficiência em produção de grãos maltados, pois nosso consumo também vem crescendo, e faz da produção nacional de cerveja a terceira maior do mundo. O resultado é o escoamento de todo o montante de cevada maltada destinada à cerveja, para a produção de um único estilo: o Standard, que reina absoluto nas Américas e é altamente questionado pelas adições de adjuntos que aumentam a produção e diminuem (muito) a qualidade.

Felizmente, há um forte movimento nacional em favor das cervejas especiais, dos sabores novos ou dos sabores já consagrados no velho continente, que mostra aos gigantes um novo perfil de consumo. Inúmeras microcervejarias já vem produzindo pales, stouts, IPAs, e precisam se abastecer de maltes especiais sem os custos extras da importação. Isso nos faz crer que em breve teremos o malte nacional nas diferentes versões de cor e sabor, necessários para cada estilo. Aguardemos otimistas.

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Sobre Flavio Faccini

Designer e produtor de cerveja artesanal.

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Publicado às 13 de junho de 2013 por em Geral, Mercado e marcado , , .

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