Confraria do Lúpulo

Beba com Informação

O pão nosso de cada noite

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Aposto uma cerveja que, neste momento, tem trigo na sua dispensa. Este cereal é o segundo mais cultivado no mundo e serve para fazer pães, bolos, biscoitos, recheios, molhos para a alta gastronomia e, é claro, uma refrescante e deliciosa cerveja. Há cerca de 8.000 anos, acredita-se que uma mutação no grão originário do Oriente Médio permitiu que seu plantio, até então restrito à região, se espalhasse pelos diferentes povos. O tempo passou e ele veio alimentando todas as classes sociais ao longo da história. Foi citado na Bíblia Sagrada e separado do joio. Então, quiseram os deuses que ele caísse nas mãos dos tchecos, dos alemães e dos belgas, onde virou cerveja, destino de quase tudo que segue na direção deles, principalmente os últimos. No entanto, as raízes cresceram de forma diferente, levando os belgas para as Witbiers, que recebem adição de cascas de laranja e sementes de coentro na sua fórmula original, e os alemães para as Weissbier, com pouco lúpulo e seus clássicos aromas de cravo e banana.

Para pequenos produtores ou produtores caseiros, ele oferece uma dificuldade a mais: suas cascas são muito finas e entopem os equipamentos no processo de filtragem, feito na própria casca do malte. O cervejeiro caseiro que já se aventurou pelas receitas das cervejas de trigo sabe bem o que é isso. São 20, 30, 40 litros de cerveja para filtrar e ela quase goteja na saída da panela!

Na Bélgica, a principal representante vem da cervejaria Hoegaarden, que leva o nome da cidade, próxima às fazendas de trigo do país. Pierre Celis foi o homem que a manteve viva, depois que a avassaladora Pilsen ergueu seu império na Europa e, posteriormente, no mundo. Já na Alemanha, foi durante muito tempo, a bebida da nobreza, sendo proibida ao povo em função da escassez do grão. Em 1872 o rei Ludwig II vendeu os direitos de fabricação a Georg Schneider, que a popularizou, continuando assim até hoje, já na sexta geração de produtores, com suas Schneider Weiss. Essas e outras cervejas de trigo, como a  Weihenstephaner Weissbier e a famosa versão bock Vitus,  Paulaner Hefe-Weissbier Naturtrüb e  Franziskaner Hefe-Weissbier,  podem ser encontradas em nossas prateleiras com relativa facilidade e são uma boa opção para “apimentar” o atualmente enfadonho futebol das noites de quarta, ou abrir uma rodada de boas cervejas com seus copos típicos, altos e imponentes.

Para os que valorizam a produção nacional, recentemente foi divulgada a lista das nossas melhores cervejas e, dentro do estilo Weiss, cito as campeãs, por onde devem começar aqueles que ainda não o conhecem: Blanche De Curitiba, Wäls Witte e Bier Hoff Witbier no estilo Witbier, Baden Baden Weiss, Insana Weizen e Cerveja Noi Bianca no Weissbier, e ainda a Bierbaum e Eisenbahn no estilo  Weizenbock.

Talvez o caro leitor, assim como eu, não fale alemão. Então eis um antigo, porém muito útil, post do sommelier Daniel Wolff, que ajuda a identificar os rótulos.

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Sobre Flavio Faccini

Designer e produtor de cerveja artesanal.

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Publicado às 22 de maio de 2013 por em Geral e marcado , , , .

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