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A saga de uma loura

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Se você já se perguntou de onde veio aquela cervejinha que o sujeito atrás do balcão do bar te serviu, num fim de semana de sol, saiba que ela é uma prima pobre da verdadeira cerveja Pilsen criada na Europa, porém de grande importância para a sociedade brasileira.

O ano era 1842 e a Revolução Industrial abria caminho pela sociedade européia, permitindo inovações no processamento de materiais e alimentos. Foi nesse ambiente, na cidade de Pilsñ, região da Boêmia, pertencente ao então império Austro-Húngaro, que a primeira pilsen foi criada, valendo-se das novas técnicas de maltagem nunca antes vistas. Não demorou  para que o estilo se espalhasse pela Europa, levado pelas taças cristalinas, também fruto da revolução em curso. Segundo Michael Jackson, não o lendário astro da música pop, mas o renomado escritor e autor do Guia Ilustrado Zahar – Cerveja,  foi firmado um acordo para que os alemães a reproduzissem com o compromisso de rotular as garrafas com as palavras pilsener, pilsner ou pils junto aos nomes das cervejarias, como forma de proteção e respeito aos seus criadores, da atual República Tcheca.  Seu sabor inconfundível vinha da qualidade dos maltes da região de Hana, e o aroma intenso, dos lúpulos da região de Saaz. Hoje, nossa melhor representante é a Pilsener Urquel, descendente direta daquela criada em 1842 pela mesma cervejaria.

Bom, com toda essa fama, um dia ela desembarcaria nas américas, onde encontraria novos produtores, com novas idéias e um mercado gigantesco pela frente. Assim, ela perdeu o sabor e os aromas originais, ganhando volume, através da adição de adjuntos (milho, arroz, etc), e um novo nome: American Standard Lager. Esta cerveja, descaracterizada, chegou ao Brasil e, contrariando a lógica, manteve o nome pilsen.

Mas se você ainda está no bar, não saia antes de saber que, se por um lado a pilsen foi alterada, por outro ela atendeu perfeitamente à demanda de cervejas leves e refrescantes, dessas que se toma depois de um dia de trabalho ou na praia, num domingo qualquer de janeiro. Convenhamos que um chopp Brahma ou uma Heineken geladinha, também de estilo standard e presente no mundo todo, muitas vezes resolvem nossos problemas, une famílias e festeja conquistas. Mesmo defendendo os sabores incontestáveis das cervejas especiais, sabemos que há espaço para todos no bar.

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Sobre Flavio Faccini

Designer e produtor de cerveja artesanal.

3 comentários em “A saga de uma loura

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Publicado às 30 de abril de 2013 por em Geral e marcado , , , , .

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